Conversa jogada fora

Coisas de um país Tupiniquim! (1)

15/01/2012 | Postado em: Blog, Conversa jogada fora | Sem comentários »

 

 

Há coisas incríveis nessa nossa querida terra…

Prefeito, de qualquer cidade, quando se elege,  a primeira coisa que encomenda à sua assessoria de comunicação é uma marca nova e um slogan.

Confesso que eu tenho uma antipatia muito grande pelo tal de slogan: não diz nada, é meramente ufanista, não acrescenta nada à comunicação e muito menos à marca do produto ou serviço.

Há alguns que são hilariantes. O slogan da Prefeitura de Bonfim, em Minas Gerais, é fantástico: Bonfim, a capital brasileira da bucha vegetal!

Sem Bonfim e sem a bucha vegetal a população brasileira fica imunda, sem tomar banho.

E sem Bonfim, aquelas velhas faladeiras não vão mais poder comentar sobre a vida sexual da vizinha:

     —“ Aquela ali, ó, igual bucha na cerca”….!

Criatividade não é mágica

15/01/2012 | Postado em: Blog, Conversa jogada fora | Sem comentários »

 

 

Ninguém tira criatividade do chapéu como os mágicos fazem com os coelhos. Por mais genial que você seja, é preciso, antes de mais nada, alimentar sua cuca. Alimente a cuca depois libere a cuca. Esse conselho é de um velho publicitário norte-americano que já morreu: Rosser Reeves.

E só há um jeito de alimentar a cuca: lendo.

Leia tudo que cair em sua mão.

Embalagem de sabão em pó, rótulo de papel higiênico, livro de filosofia, romance, ficção científica, até revistinha de sacanagem, coisa rara hoje em dia, já que basta ficar espiando na porta dos colégios pra gente reaprender o Kama Sutra. Mas leia. Leia muito, leia o tempo todo.

Faça como os japoneses que lêem centenas de livros por ano.

Aí você estará acrescentado à sua receita de criatividade um fermento fundamental: repertório.  Um livro de poemas, um manual de jardinagem, um tratado de metafísica podem ser a mola, o combustível que irá permitir-lhe o grande salto até as estrelas. Aí você poderá começar a criar. Somente depois de acumular toda essa bagagem você  poderá ingressar na grande arte da sedução que é a propaganda. Mas somente depois de ler muito e construir seu repertório. 

Conselho para estudantes de propaganda

14/01/2012 | Postado em: Blog, Conversa jogada fora | Sem comentários »

Xô te ensinar como conquistar seu lugar ao sol na indústria da propaganda. Saia, hoje mesmo, e arrume um emprego em uma agência.
Mesmo que você tenha acabado de passar no vestibular. Trabalhe de graça.
Se for preciso, pague para trabalhar.
Mas entre no mercado pela porta da frente. Trabalhe em todos os setores da agência.
E jamais se esqueça: seja um chato perguntador. Pergunte tudo. O que é, como é, como funciona, porque aquela solução e não outra, pergunte, pergunte, pergunte o dia inteiro. Vão te mandar pro inferno, vão atribuir à sua mãe uma profissão tão antiga quanto à de publicitário, mas não se incomode. Porque você, lamento informar, vai aprender muito pouca coisa prática na escola. Muita teoria. Mas não vai saber fazer quase nada. Sem a prática do mercado você não consegue fazer acontecer. E é isso, exatamente isso, fazer acontecer, que o mercado brasileiro quer de você, estudante de propaganda.
Para você começar a construir aquela lista de conhecimentos profissionais que se chama repertório. E, sem o qual, você não conseguirá nunca ser um grande profissional.

CONVERSA JOGADA FORA (21.11.11)

21/11/2011 | Postado em: Blog, Conversa jogada fora, Notícias | Sem comentários »

Existe sobrevida para a agência de propaganda?

Fiz, não sei se na Perfil ou na Casablanca, uma palestra há tempos sobre esse tema. Até então eu não havia percorrido as mais inovadoras agências da Inglaterra e dos Estados Unidos e não me havia defrontado com o grande dilema do mercado brasileiro de propaganda: o modelo sustentado pela mídia.

De volta ao meu canto brasileiro e ao nosso Museu da Propaganda, tenho sido constantemente questionado sobre esse tema, já que o fantasma do fracasso anda assombrando os corredores das agências brasileiras. E ontem, durante um palestra minha para os alunos de Propaganda da PUC, o tema não apenas correu solto como tomou posse de toda a palestra. Porque, a meu ver, não apenas o modelo está totalmente errado como está escancarando as portas das agências para a derrocada final. Simplesmente houve, a partir da década de 90, uma perda absoluta de foco por parte das agências de propaganda. Esqueceu-se, na sofreguidão com que as agências passaram a fazer mais e mais concessões para incrementar a carteira de clientes, que o produto buscado pelos anunciantes era a inovação criativa, que passou a ser ofertada como engodo para atrair uma clientela que já não estava muito satisfeita com as bonificações de volume (BV), ofertadas pelos veículos, e nem tão pouco com os percentuais de remuneração sobre os valores cobrados pelos meios de comunicação.

O golpe de misericórdia, acredito, foi a conta da VASP, para cuja conquista Nizan Guanaes abriu mão dos vinte por cento garantidos pela Lei 4.680. Foi-se por terra a lei, foi-se por terra a comissão, começou o processo de queda das agências no precipício da batalha pelo mercado.

Ao contrário da Europa, o publicitário brasileiro não sabe cobrar pelo seu talento. E isso me faz lembrar Cacilda Becker, a grande atriz brasileira, que respondia a qualquer um que lhe pedisse para trabalhar sem remuneração:—"Não me peça para dar de graça a única coisa que eu tenho para vender!". Frase que repito à exaustão, quando me pedem um planejamento ou uma palestra gratuita (salvo para meus caríssimos amigos estudantes, é claro). As agências brasileiras estão na penúria porque passaram a dar, de graça, a única coisa que tinham para vender!

CONVERSA JOGADA FORA…(30.08.11)

02/09/2011 | Postado em: Blog, Conversa jogada fora | Sem comentários »

ANÁLISE DE UM PUBLICITÁRIO

Se nos fosse possível escarafunchar o miolo de um grande publicitário, talvez pudéssemos chegar à fórmula ideal de fabricação do profissional de propaganda.Utopia. Mas muito válida, principalmente para um jovem estudante de Publicidade, com a cuca fresca, ainda livre dos preconceitos e tatuagens que lhe serão impostos pela louca sociedade moderna. Uma vasta coleção de dados, teorias, conceitos, pensamentos originários de uma ampla gama de ramos do conhecimento humano que irão constituir o seu repertório, o ferramental intelectual com que ele irá abordar todas as ciências da comunicação de marketing.

O primeiro requisito desse ferramental são as línguas estrangeiras. Falar, ler e escrever um idioma não é erudição. É uma mera coleção de chaves para abrir a porta de outras civilizações, outras culturas que, através de sua literatura, poderão dar-lhe novos conhecimentos, o acesso às inúmeras manifestações criativas de outras sociedades, outros povos. Impressiona-me o descaso com que os jovens tratam o conhecimento de línguas estrangeiras. O inglês, o espanhol e o francês são imprescindíveis. Se a isso acrescentarmos o alemão, temos uma sofisticada bancada de instrumentos que nos abrirão os portais da inteligência de dois terços do mundo civilizado. Coloco os idiomas em primeiro lugar porque sem eles você  se limitará à literatura publicada em português, que é meio limitada.

Propaganda é arte. Mas é sobretudo uma ciência que envolve a abordagem humanística bem como as extensas dimensões das ciências exatas. Portanto o segundo pacote a ser armazenado no HD cerebral desses jovens inclui o Direito, a Sociologia, a Antropologia, a Psicologia, a Filosofia e a Ética, já que estaremos diariamente lidando com o fenômeno humano. A principal função da propaganda é provocar uma ação, que em inglês é chamada de " make move", ou seja, fazer com que o consumidor desperte de sua atávica apatia, migre da lei-do-menor-esforço para uma ação específica. Porque toda propaganda é um imperativo, uma ordem ou um convite para que o consumidor tome uma atitude determinada.

O terceiro acervo de conhecimentos está na área das ciências exatas. Como profissional contemporâneo, o publicitário tem de conhecer alguma coisa de matemática financeira, de contabilidade de custos, de análise de risco  e de estatística para poder elaborar análises, checar tendências de mercado, verificar "shares", entender gráficos de análise de impactos em mídias sociais e por aí adiante.

Finalmente,  esse profissional que estamos desenhando deverá  costurar tudo isso sobre uma sólida base cultural que o leve a conhecer artes plásticas, design, música, literatura, cinema, moda, artes gráficas e tudo aquilo está acontecendo de revolucionário e inovador na Ciência, na Tecnologia e na Informação.

Em função de tudo isso é que se afirma que o publicitário, com P maiúsculo, é o profissional mais completo do mundo contemporâneo.

CONVERSA JOGADA FORA…

31/07/2011 | Postado em: Blog, Conversa jogada fora, Notícias | Sem comentários »

UM ORÁCULO PARA A PROPAGANDA

Houve época, na antiga Grécia, que Delfos era o xodó do fluxo de viajantes de todo o mundo civilizado. Ali estava o Oráculo, com a Pitonisa, uma destranbelhada mental que ouvia a pergunta do consulente, curvava-se sobre uma trípode de onde emanava uma maconha muito doida e dava a resposta sob a forma de um enigma tão maluco quanto fosse o fumo que ela tivesse engolido: "Quando as folhas dos plátanos se igualarem às da figueira, uma cabeça coroada rolará para dentro do Ródano".
E o consulente ali, com cara de macuco no embornal, suando de saber que tinha jogado seu dinheiro fora mas querendo ver se ainda salvava alguma coisa da interpretação daquela doidura enunciada pela sacerdotisa louca.
Providencialmente, a Pitonisa tinha uma série de acólitos que logo se precipitavam para oferecer, mediante pecúnia, é claro, (donde se vê que o conto do vigário já pertencia à antiguidade clássica!) uma interpretação mais lógica para as palavras do Oráculo:" O que ela disse é que se o PMDB continuar do jeito que tá, ele vai se fuder!"
A propaganda brasileira está carecendo de um Oráculo. Alguém, com dotes que ultrapassem a nossa mediana inteligência, para interpretar os comerciais que estão na televisão. Acabou-se a mensagem. Desapareceu o texto, a voice-over do locutor. Sai uma mulher linda lá de trás, faz uma embaixada com um vidro de perfume como bola e pronto: finis! Acabou-se o comercial. Um cara aplicando um beijo do gênero Roto-Rooter na beira da praia, bate-se uma claquete e pronto. Terminou o comercial. Não se fala nada da marca, às vezes a gente apenas percebe, com a fugacidade de um fantasma que se esvai, uma embalagem, um traço qualquer de uma logo.Um grupo de torsos humanos enterrados na lama para anunciar carro da Nissan. Sutilidades efêmeras de quem está se lixando para o dinheiro do anunciante.E que produz uma versão eletrônica de um happening gerado e nutrido por alucinógenos. Será que só eu estou errado…?

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